


Hoje eu só queria ser realmente importante pra você, queria poder sentir seu abraço apertado, pode parecer estranho, mas queria sentir ciúmes de ver você abraçando seus amigos, queria simplesmente sorrir do seu lado sem motivo algum, queria poder te fazer feliz em todos os momentos, ou te fazer sentir a felicidade apesar de tudo, nunca imaginei que poderia sentir o que sinto por você, mas pode não acreditar, depois desse pequeno tempo que te conheço, você já é alguém insubstituível no meu coração, eu queria poder cuidar de você, igual você cuidou de mim, quando eu precisei. Mas está tão impossível, e parece que eu não te faço bem. talvez o melhor seja a distância.
Li hoje que “A gente só sente saudade daquilo que valeu a pena”. Tá aí um bom argumento para eu não sentir saudades tuas.
E eu, sempre tentando resgatar o passado para o meu presente. E quem sabe levá-lo até meu futuro. Só que não dá mais. Não mais para levar o que corta a alma e escorre aos olhos, Não dá mais, eu não consigo mais. Não consigo porquê a noite é longa mas a vida é curta. É curta pra sempre chorar e sofrer pelos mesmos motivos fúteis e inúteis.
Paula Ventura
Me falaram que você ainda canta e toca no centro da cidade. Falaram que você trocou de violão, e que agora ele é escuro. Eu preferia o claro, você também. Falaram que você mudou o seu repertório, falaram que você vai embora quando pedem uma música que fala sobre o amor. Falaram que você chora no caminho de volta para casa, e que suas lágrimas molham mais que gotas de chuva. Falaram que a sua voz continua impecável, mas que agora poucas pessoas escutam. Eu sei o motivo do peso nos teus olhos, e sei que por trás desse peso, existe uma leveza única. Na correria dos teus dias, encontre tempo para lembrar do que a gente foi, e se você chorar, toque uma música que fale de amor. Mas não de qualquer amor, toque uma que fale do nosso amor. Vez ou outra eu sinto uma enorme vontade de ir ao centro da cidade para lhe ver cantar, mas sei que no caminho irei encontrar as lágrimas que você esqueceu enquanto voltava para casa, sei que não encontrarei sorriso de antes, o cabelo de antes e nem o claro violão de antes. Encontrarei uma pessoa triste, um violão escuro e saudade no ar.
Você mente quando diz que foi bom enquanto durou. Se tivesse mesmo sido, teria continuado. Ou não? O fato de ter chorado não demonstra sentimento e o pedido de desculpas é em vão, se não me conforta. Sacrifício é esquecer, para mim, que é tão difícil gostar. Mais um prejuízo sentimental.
Só que aí eu acabei mudando. E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queira muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar
Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Lembramos do porre, do fora, do desaforo, dos enganos, das cenas patéticas em que nos declaramos em público. Cometa bobagens. Dispute uma corrida com o silêncio. Não há anjo a salvar os ouvidos, não há semideus a cerrar a boca para que o seu futuro do passado não seja ressentimento. Demita o guarda-chuva, desafie a timidez, converse mais do que o permitido, coma melancia e vá tomar banho de rio. Mexa as chaves no bolso para despertar uma porta. Cometa bobagens. Não compre manual para criar os filhos, para prender o gozo, para despistar os fantasmas. Não existe manual que ensine a cometer bobagens. Não seja sério; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira. Não atravesse o corpo na faixa de segurança. Grite para o vizinho que você não suporta mais não ser incomodado. Use roupas com alguma lembrança. Use a memória das roupas mais do que as próprias roupas. Desista da agenda, dos papéis amarelos, de qualquer informação que não seja um bilhete de trem. Procure falar o que não vem à cabeça. Cantarolar uma música ainda sem letra. Deixe varrerem seus pés, case sem namorar, namore sem casar. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar. Leve uma árvore para passear. Chore nos filmes babacas, durma nos filmes sérios. Não espere as segundas intenções para chegar às primeiras. Não diga “eu sei, eu sei”, quando nem ouviu direito. Almoce sozinho para sentir saudades do que não foi servido em sua vida. Ligue sem motivo para o amigo, leia o livro sem procurar coerência, ame sem pedir contrato, esqueça de ser o que os outros esperam para ser os outros em você. Transforme o sapato em um barco, ponha-o na água com a sua foto dentro. Não arrume a casa na segunda-feira. Não sofra com o fim do domingo. Alterne a respiração com um beijo. Volte tarde. Dispense o casaco para se gripar. Solte palavrão para valorizar depois cada palavra de afeto. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade.
Sempre fui de me doar. Ouvia, ajudava, consolava, me importava. E não foram poucas as vezes que, mesmo em segredo, eu deixava de pensar na minha vida pra ajudar os outros. Em segredo, explico, porque não acho que preciso de medalhas, prêmios ou troféus. Se eu faço, é de coração, sem esperar reconhecimento do outro. Mas, perdão, eu sou humana e sinto. O mínimo que a gente espera é gratidão. Aprendi que ela nem sempre aparece. Aprendi que às vezes as pessoas acham que o que a gente faz é pouco. Por tanto aprendizado, acabei descobrindo que é melhor eu cuidar mais da minha vida e menos da dos outros. Não quero morrer santa, quero morrer feliz.