


Hoje o céu desabou na minha cabeça e eu vejo tudo azul. Meu cachorro é azul, meus pés são azuis e a água que eu bebo é azul também. É tudo azul, porque é tudo triste. Não que eu acho o azul uma cor depressiva, claro que não! Quem sou eu? Só ficou tudo azul porque eu olhei demais pro céu, esperando alguma coisa cair, assim, na minha mão. E não caiu. Porque não choveu. Hoje eu esperei a chuva me molhar, e só ganhei queimaduras. Queimar arde, queimar dói, esperar mata. Preciso de um banho de chuva, preciso mergulhar de cabeça no céu molhado. Tira esse azul de mim! Tira! Me molha pelo amor de Deus! Céu!Céu! O que é que eu faço agora? O que é que eu faço? Eu corro? Eu grito? Eu berro? Eu choro? Não. Eu fico em silêncio. Porque não há o que fazer. Não é mesmo? Estou queimado no frio do azul. Que me corrói, que me contorce todinha numa dança em alto mar. Eu danço em alto mar e não vejo terra no horizonte. Não posso nadar, não posso boiar, só posso dançar. Até acabar a música. E se a música acabar, eu vou descansar e deixar que o mar me leve num leve balançar até algum lugar. E é nesse lugar que o azul vai deixar de me tragar, e as demais cores aparecerão, para que então eu possa dizer: hoje o dia foi bom e o céu está azul.
Já tive noites mal dormidas, perdi pessoas muito queridas, cumpri coisas não prometidas. Muitas vezes eu
desisti sem mesmo tentar, pensei em fugir,para não enfrentar, sorri para não chorar. Eu sinto pelas coisas que não mudei, amizades que não cultivei, aqueles que eu julguei, coisas que eu falei. Tenho saudade de pessoas que fui conhecendo, lembranças que fui esquecendo, amigos que acabei perdendo. Mas… continuo vivendo e aprendendo.
Eu falo de amor, escrevo sobre dor e sinto saudade. Tenho medo do escuro e gosto de ficar sozinha. Às vezes. Eu me perco, eu me acho, eu me escondo… Eu rio à toa e choro também. Eu falo sobre você e acima de tudo, eu amo, o amo, te amo. Mas ainda há tantas coisas aqui dentro que ninguém nunca soube
Tem dias que eu grito por socorro, mas o único som que sai da minha boca é o da minha risada, doce e suave, como se nada tivesse acontecido comigo.
Sobre o amor? Amor é não querer desligar-se nunca do abraço. É sentir saudade todos os dias, inventar assunto pra não ter que desligar o telefone. É xingar. Rir de chorar. É alertar, preocupar. É dividir cobertor, espaço na cadeira de balanço ou um pedaço do sofá pequeno. É esquentar a mão, fazer cafuné, dormir no colo um do outro. Amor é saber esperar, esperar esper… É não saber se explicar.Sentir medo, ser cúmplice, ter coragem. É sair de casa no meio da noite e se encontrar escondido. É sonhar a semana toda com o fim de semana e o mesmo cheiro, o mesmo abraço, o mesmo beijo. É dar gargalhadas, colocar de castigo, estralar os dedos um do outro, mesmo sabendo que isso vai doer. É provocar, morder a bochecha e lamber o nariz. É fazer cara de nojo, pirraça, chantagem. É agradar. Não ter medidas. É não cansar. Não cansar da voz, do desespero, da rotina. É ter alguém, um amigo, um fonte, uma força. É ter você. É ser a gente, ser o que éramos.
É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles foi infiel. É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometa essas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim um recomeço.
Ainda acreditamos na mentira de que se submetermos pessoas ao nosso domínio seremos bem-sucedidos e ricos.
Fingiu que não sentia, fingiu que não doía, fingiu que não se importava. Sem ao menos ter tomado uma dose de verdade, se afogou em seus fingimentos
Sabe quando bate aquela vontade louca de fugir mas você não tem pra onde ir? Foge pra minha casa, foge pro meu quarto, foge pros meus braços, foge pra mim que eu te dou abrigo. Vem?
Vejo as minhas mãos calejadas e percebo o quanto já lutei, cai e me reergui nessa vida. A minha cabeça dói. As lembranças pesam, os dias pesam, as lágrimas pesam. Tudo pesa. O passado atormenta e o futuro amedronta. A respiração ofegante é a prova de quantos monstros derrotei durante o caminho. Não é a fácil estar sempre tão só, mas com o tempo a gente acostuma. Se você me conheceu há primaveras atrás, provavelmente se assustará em me encontrar no fundo do fundo do fundo do fundo do poço. Existem mais do que sete palmos de chão acima de mim, mas eu ainda estou viva. Disse bem: ainda. O meu corpo vaga por entre bueiros e lixões imundos, enquanto a minha alma repousa em um lugar que eu não sou capaz de chegar nunca. Veja só a ironia: até mesmo a minha alma não suportou viver dentro da minha conturbação e fugiu de mim. Todos sempre fogem de mim. E eu continuo correndo e me escondendo de todos. O sol é feio porque cega a minha visão. A lua não é bonita porque me lembra a escuridão que me ronda. As estrelas são odiadas por conseguirem brilhar sozinhas. E eu continuo me contorcendo o máximo que posso pra excluir o resto do mundo do meu mundo. Antes eu era leve e transbordava amor por tudo isso, moço. O céu continuava cinza, mas eu amava o cinza. Eu amava as roseiras da casa do menino que vendia jornal, a espuma do barbeiro que meu pai frequentava toda manhã e o livro que meu irmão não terminava de ler nunca. O amor fazia parte de mim mais do que eu, por isso um dia ele me consumiu e se transformou em raiva e nojo. A minha vontade, agora, é de chacoalhar o senhor executivo apressado que passa por mim e lhe dizer pra parar de correr contra o tempo, porque eu também corria de tudo e hoje o tempo me estagnou. Hoje o tempo me tomou o tempo e eu não tenho mais tempo pra nada. Se uma coisa que aprendi nesses poucos anos vividos, essa coisa foi que não adianta a gente querer voltar o ponteiro dos relógios. Cazuza disse uma vez: o tempo não para! E vejam só, também parou pra ele. Aos poucos o tempo para pra todos nós. Uma grande conhecida minha que, na verdade, também já foi uma grande amiga, companheira e confidente, hoje me esconde o olhar. Ela não me reconhece mais e eu não tenho do que reclamar: eu também não me reconheço. Quem é essa no espelho que está na minha frente? De quem são esses pés perfurados? E essa rosto pálido pertence a quem? Sou eu. Eu sou todo esse embolo de merda que me tornaram. Tenho o impulso de espremer o universo até ele me devolver a inocência e o carisma que habitava em mim. Eu era plena de felicidade e hoje me sinto plena de mágoas. Algo, no fundo, me diz que não sou uma pessoa ruim. Ruim mesmo são todos vocês que me fizeram ser o que eu disse que jamais seria. A chuva não me molha mais, porque chuva é coisa da natureza e a natureza é boa e consequente só atinge as pessoas boas também. Eu não tenho um coração ruim, mas me fiz de alguém incapaz de amar. Quando eu era doce feito mel e delicada como uma flor, as pessoas abusaram da minha boa vontade e das minhas boas intenções. Agora sou feito rocha, me esquivando de qualquer indicio de afeto e sorrisos formidáveis. Meus ombros doem, pois carreguei durante todo esse tempo bagagens desnecessárias e sentimentos que não valem a pena. Roí todas as minhas unhas pela esperança de dias melhores. Cansei de me importar com coisas que ninguém valoriza. Cansei de fazer das tripas coração por quem não me faz sequer de primeira opção. Estou cansada de tudo e sinto que tudo também está cansando de mim. A vida nem sempre é justa e o destino nem sempre é belo. Não vejo a hora de fechar os olhos e dormir para sempre, mas esse meu pensamento está errado. O mundo não deveria acabar todos os dias de formas tão violentas assim que acordo. Você não entende? O ar não tem mais cheiro de ar e o verde agora é roxo. As coisas perderam o sentido e eu me perdi de mim. Isso não é certo. Eu tenho apenas 17 anos.”